Moradores do quilombo no MA denunciam que agrotóxicos lançados por aeronave sobre casas
Quilombolas denunciam pulverização de agrotóxicos sobre casas e roças Os moradores do quilombo Canela, em São Benedito do Rio Preto, a cerca de 240 km de S...
Quilombolas denunciam pulverização de agrotóxicos sobre casas e roças Os moradores do quilombo Canela, em São Benedito do Rio Preto, a cerca de 240 km de São Luís, denunciaram que houve a pulverização aérea de agrotóxicos sobre casas e roças na região. De acordo com os relatos, crianças, gestantes e idosos apresentaram sintomas como náuseas, coceira e dor de cabeça após o sobrevoo, por conta da exposição ao veneno. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp A exposição a esses produtos está associada a doenças como o câncer. Por meio de vídeos gravados pelos moradores, a aeronave foi identificada como um avião agrícola. Nas imagens, é possível ver o momento em que a aeronave sobrevoa as casas e as roças realizando a pulverização (veja o vídeo acima). Também foram registradas denúncias de grilagem, invasão de terras, ataques contra moradores, destruição de roçados e proibição de plantios destinados ao consumo local das comunidades. Segundo as denúncias, São Benedito do Rio Preto se tornou, neste ano, o epicentro das pulverizações no estado do Maranhão, com 27 comunidades impactadas. Apenas em janeiro de 2026, 142 localidades receberam pulverizações. A Rede de Agroecologia do Maranhão informou que o impacto não é apenas na saúde. O veneno também atinge a agricultura familiar e pode contaminar os alimentos que são plantados na região. Em 2025, a Rede de Agroecologia havia realizado denúncias sobre pulverizações em quilombos da região, como os de Cancela e Santo Inácio, além de outros povoados. Entenda o caso Quilombolas denunciam pulverização aérea de agrotóxicos sobre casas e roças no interior do MA Reprodução/TV Mirante O uso de agrotóxicos no Maranhão tem crescido nos últimos anos, principalmente por causa da expansão do agronegócio na região do MATOPIBA. Esse avanço acaba atingindo diretamente comunidades tradicionais, como povos indígenas, quilombolas e assentamentos rurais. As denúncias registradas expõem a presença da violência no campo, além da destruição acelerada da natureza. De acordo com dados da Rede Agroecológica do Maranhão (RAMA), em 2024 foram registrados casos em 35 municípios, com 231 comunidades atingidas na chamada “guerra química”. Em 2025, houve uma redução de 52% nos registros, com 110 comunidades atingidas em 17 municípios. Entretanto, a redução não significa menos ataques, mas pode indicar maior intimidação, subnotificação e medo da população em denunciar os casos. A RAMA informou que aviões e drones “fantasmas” têm espalhado veneno nas roças, nos rios e nas casas da região rural do Maranhão. Com essas ações, territórios e comunidades tradicionais sofrem impactos ambientais, sociais e na saúde. Agroecologia No Maranhão, a agroecologia tem sido defendida por organizações como a Rede de Agroecologia do Maranhão (RAMA), criada em 1998 e formada por agricultores familiares, quilombolas, povos indígenas e pesquisadores. O movimento busca fortalecer sistemas de produção sem agrotóxicos e proteger os territórios e modos de vida de comunidades tradicionais no estado. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) define agroecologia como um modelo de produção agrícola que integra conhecimento científico, práticas tradicionais e sustentabilidade ambiental, reduzindo ou eliminando o uso de agrotóxicos. O que dizem as autoridades? Em nota, a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja) do Maranhão informou que a lavoura mais próxima do quilombo Cancela fica a cerca de 5 km do povoado e que não utiliza pulverização aérea. A entidade afirmou que, nas proximidades da comunidade, existe uma área de pastagem que utilizou aviação agrícola no ano passado. A associação disse ainda que todos os produtores associados têm ciência dessa orientação. A Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP) informou que a denúncia de possível pulverização aérea de agrotóxicos nas proximidades do quilombo Cancela, em São Benedito do Rio Preto, foi recebida pela Comissão Estadual de Prevenção à Violência no Campo e na Cidade. Segundo a secretaria, a situação está sendo acompanhada para garantir a adoção das medidas necessárias e a proteção dos direitos da comunidade quilombola. A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA) informou que vai encaminhar uma equipe técnica para realizar averiguação no local, verificar a procedência da denúncia, identificar os responsáveis e apurar se houve irregularidades na atividade relatada.