Por que perícia afastou hipótese de curto-circuito ao apontar falha elétrica como possível causa de incêndio que destruiu escola em SP

Incêndio na Escola Prada: diferentes gerações de alunos lamentam destruição de prédio Apesar de apontar falha elétrica como possível causa do incêndio ...

Por que perícia afastou hipótese de curto-circuito ao apontar falha elétrica como possível causa de incêndio que destruiu escola em SP
Por que perícia afastou hipótese de curto-circuito ao apontar falha elétrica como possível causa de incêndio que destruiu escola em SP (Foto: Reprodução)

Incêndio na Escola Prada: diferentes gerações de alunos lamentam destruição de prédio Apesar de apontar falha elétrica como possível causa do incêndio de grandes proporções que destruiu a Escola Municipal Prada, em Limeira (SP), em maio deste ano, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) minimizou a hipótese de curto-circuito ou sobrecarga na rede de energia. Por outro lado, o documento cita fenômenos associados a mau contato, conexões deficientes, emendas deterioradas, afrouxamento de terminais e falhas de isolamento como razões mais prováveis. O laudo foi anexado ao inquérito aberto pela Polícia Civil que apura eventuais omissões que possam ter colaborado para o fogo. 📲 Siga o g1 Piracicaba no Instagram Ao levantar as hipóteses mais e menos prováveis, a perícia considerou que a unidade não estava em atividade regular no momento do incêndio. Por conta disso, com poucos equipamentos em funcionamento, a probabilidade de uma sobrecarga dos circuitos é menor. Segundo o laudo, a hipótese de curto-circuito também deve ser analisada com cautela, já que em instalações com dispositivos de proteção, esse tipo de incidente tende a provocar a interrupção automática do circuito. "Para que um curto-circuito isolado atuasse como elemento deflagrador do incêndio, seria necessária a transferência de energia suficiente para promover a ignição de materiais combustíveis presentes nas proximidades, antes da atuação dos sistemas de proteção ou da extinção do arco elétrico", cita. Incêndio atinge Escola Prada, em Limeira (SP) Wesley Almeida/EPTV Hipóteses mais prováveis Já ao abordar as hipóteses de mau contato, conexões deficientes, emendas deterioradas, afrouxamento de terminais e falhas de isolamento, o documento afirma que essas condições podem produzir aquecimento localizado por períodos prolongados, sem necessariamente ocasionar o imediato desligamento dos dispositivos de proteção. "Tais mecanismos podem estar associados ao envelhecimento natural da instalação elétrica, incluindo o ressecamento e a deterioração de capas isolantes de condutores e demais materiais empregados no isolamento elétrico, à ausência ou insuficiência de manutenção, a intervenções realizadas ao longo do tempo ou à execução inadequada de determinados trechos da rede." Apesar das suspeitas, o órgão ressaltou que, devido à destruição do local, não foi possível determinar de forma conclusiva o que deu início ao fogo. Investigação No documento, o IC cita que o incêndio possivelmente começou na região do entreforro do prédio histórico, espaço onde havia componentes da instalação elétrica e elementos estruturais de madeira, o que favoreceu a propagação do fogo. A perícia, porém, não identificou vestígios que indicassem que o incêndio tivesse sido causado de propósito nem evidências de que as chamas começaram fora da edificação. À EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado Luiz Guilherme Barbosa afirmou que aguarda documentações para concluir se os órgão municipais podiam ter adotado medidas para evitar o risco do incêndio. "Precisamos analisar as medidas adotadas pelos órgãos municipais e pela administração da escola para saber se já havia conhecimento do risco. Até o momento não identificamos registros de falhas anteriores ou outros eventos que indicassem a probabilidade da falha elétrica, mas não recebemos ainda todos os documentos requisitados", destacou. O g1 pediu um posicionamento à Prefeitura de Limeira, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. Imagem aérea da Escola Prada em chamas na última sexta-feira (1º) Wesley Almeida/EPTV Espaço sem AVCB A possibilidade de o incêndio ter começado na fiação elétrica já havia sido levantada à época pelos bombeiros. O edifício não tinha o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). 🔎O AVCB é emitido pelo Corpo de Bombeiros e certifica que o imóvel possui condições adequadas de segurança. Isso inclui itens como extintores, sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndio, portas corta-fogo e outros itens. Segundo a administração municipal, ao assumir a gestão em janeiro de 2025, foram identificadas "muitas escolas da rede municipal sem o AVCB e com problemas estruturais graves". Naquele momento, 56 escolas estavam irregulares. Tombamento A escola completa 80 anos em junho de 2027. O prédio, tombado como patrimônio histórico do município, já fez parte do conjunto Prada, onde funcionava uma das maiores fábrica de chapéus da América Latina. A estimativa é que cerca de 30 mil alunos já passaram pela unidade desde o início das atividades. "A gente começou a conversar com arquitetos, engenheiros, e vários deles dizem que é possível recuperar essas paredes e que é possível restaurar. Mas a gente só vai poder definir isso depois que a gente tiver um parecer da polícia científica e também nós vamos contratar um pessoal especializado para poder definir o que é possível reaproveitar ou não", contou o secretário de Educação, Antônio Montesano Neto, à época. Bombeiro apagando as chamas durante incêndio na escola Prada na última sexta-feira (1º) Wagner Morente/GCM de Limeira VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba